Aula 133 Darwinismo social e imperialismo no século XIX

TEMA: Darwinismo social e imperialismo no século XIX
Nossa aula foi:
8ºA e B, sexta-feira, 7 de novembro de 2025.EIXO TEMÁTICO
O Brasil no século XIX.
 
HABILIDADES
(GO-EF08HI23-A) Discutir as justificativas para o domínio neocolonial na África e Ásia, analisando teorias, como Darwinismo Social, Etnocentrismo, Racismo, Missão Civilizatória, relacionando esses conceitos com os casos de intolerância, presentes nos dias atuais.
Matriz de Habilidades Essenciais
Entender o contexto da expansão imperialista europeia no século XIX e a disputa por territórios na África e na Ásia e as justificativas ideológicas do domínio.
 
OBJETIVOS DE CONHECIMENTOS
Nacionalismo, revoluções e as novas nações europeias:
 
CONTEÚDO
Teorias sociais: Darwinismo Social, Etnocentrismo, Racismo e a Missão Civilizatória
 
METODOLOGIA:
Os objetivos da aula são:
Compreender o conceito de imperialismo do século XIX, identificando suas motivações econômicas e políticas.
Analisar as teorias do darwinismo social e do evolucionismo social como instrumentos ideológicos.
Relacionar essas teorias com a justificativa europeia para a dominação e exploração dos continentes africano e asiático.
Desenvolver a capacidade de distinguir fatos de opiniões em um texto de caráter histórico.
Aprimorar a habilidade de interpretar informações apresentadas em diferentes formatos (texto e tabela).
 
Para tanto, nos serviremos da seguinte estrutura de aula:
Apresentar o tema da aula: Imperialismo e as justificativas ideológicas do século XIX.
Expor os objetivos de aprendizagem para a turma.
Realizar um breve levantamento de conhecimentos prévios, perguntando aos alunos o que eles entendem por "dominação" e "preconceito".
Análise de Imagens ou Citações: Apresente uma imagem, uma charge ou uma citação curta (sem contexto histórico) que remeta aos conceitos e pergunte: "O que vocês veem aqui?" ou "Que sentimento essa frase provoca?". Isso estimula a interpretação e a expressão de percepções antes de introduzir o conteúdo formal.
 
Rotação por Estações:
Distribuir o texto "Darwinismo social e imperialismo no século XIX" para todos os grupos.
Estação 1: Motivações do Imperialismo
Tarefa: Ler os parágrafos 1 a 4 do texto e responder: Quais foram os dois principais objetivos das potências europeias ao colonizar a África e a Ásia?
Alinhamento com Descritores:
Língua Portuguesa (D027_P): Identificar as ideias centrais (motivações econômicas e políticas) e secundárias (países envolvidos, formas de domínio) nos parágrafos iniciais do texto.
Matemática (D053_M): Analisar uma tabela simples fornecida pelo professor, com dados fictícios sobre a exportação de matéria-prima (ex: borracha do Congo para a Bélgica) e o valor de produtos manufaturados vendidos, e relacionar as informações da tabela com os objetivos descritos no texto.
 
Espera-se que o aluno identifique e verbalize claramente os dois principais objetivos econômicos do imperialismo, conforme explicitado no parágrafo 3 do texto:
 
A busca por mercados consumidores para vender os produtos industrializados europeus.
 
A exploração de matéria-prima para ser utilizada nas indústrias europeias.
 
Alinhamento com o Descritor de Língua Portuguesa (D027_P):
Ao executar a tarefa, espera-se que o aluno demonstre a capacidade de:
 
Identificar as ideias centrais: Apontar os dois objetivos mencionados acima como as informações mais importantes (as ideias centrais) do parágrafo 3.
 
O texto afirma: "...aconteceu por dois principais objetivos: 1º) a busca por mercados consumidores (para os produtos industrializados); 2º) a exploração de matéria-prima (para produção de mercadorias nas indústrias)".
Paráfrase: "Os europeus queriam novos lugares para vender seus produtos e queriam pegar os materiais que precisavam para suas fábricas".
 
Distinguir ideias secundárias: Reconhecer outras informações nos parágrafos 1 a 4 como detalhes ou contexto (ideias secundárias). Exemplos disso seriam citar quais eram as nações imperialistas (Inglaterra; França; Alemanha; Bélgica; Holanda; posteriormente Estados Unidos e o Japão), os continentes colonizados (África e Ásia; posteriormente América), o período em que ocorreu (século XIX) e as formas de dominação (direta e indireta).
 
Estação 2: A Construção da Justificativa
Tarefa: Ler os parágrafos 5 a 7 do texto. Discutir em grupo e separar as afirmações que são fatos históricos (ex: "europeus dominaram a África") daquelas que são opiniões ou construções ideológicas da época (ex: "os africanos eram bárbaros").
Alinhamento com Descritores:
Língua Portuguesa (D038_P): Distinguir um fato (a ocorrência do imperialismo) de uma opinião (a suposta superioridade europeia usada para justificá-lo).
Língua Portuguesa (D023_P): Inferir, a partir do texto, qual era a visão dos europeus sobre si mesmos e sobre os povos colonizados.
 
Distinção entre Fato e Opinião (Descritor D038_P):
O principal objetivo aqui é que o aluno consiga separar o que é um acontecimento histórico (fato) do que é uma interpretação ou justificativa ideológica (opinião).
 
Fatos históricos que devem ser identificados:
O domínio europeu sobre a África e a Ásia existiu (parágrafo 5).
 
Teorias raciais foram usadas para legitimar esse domínio (parágrafo 5).
 
Houve a imposição da cultura europeia (parágrafo 7).
 
Opiniões/Construções Ideológicas que devem ser identificadas:
A classificação de sociedades em "bárbara", "primitiva" e "civilizada" (parágrafo 6).
 
A crença de que os europeus pertenciam à etapa "civilizada" e os outros povos, a etapas inferiores (parágrafo 6).
 
A ideia de que os europeus tinham uma "missão civilizatória" ou um dever de fazer outras sociedades evoluírem (parágrafo 7).
 
Inferência sobre a Visão de Mundo Europeia (Descritor D023_P):
A partir da leitura, espera-se que o aluno consiga inferir, ou seja, deduzir informações que não estão explicitamente declaradas como "os europeus pensavam que...".
 
Visão sobre si mesmos: Os alunos devem inferir que os europeus se viam como o ápice da civilização, superiores, mais evoluídos e portadores do progresso e da cultura correta. A expressão "missão civilizatória" revela um sentimento de responsabilidade paternalista.
 
Visão sobre os povos colonizados: Devem inferir que os africanos e asiáticos eram vistos como inferiores, "bárbaros", "primitivos" e incapazes de evoluir por conta própria. Eram considerados "atrasados" e precisavam da intervenção europeia para alcançar a civilização.
 
Estação 3: O Discurso da Superioridade
Tarefa: Ler os parágrafos 8 a 11 do texto. Identificar no texto as palavras e expressões que revelam o discurso de superioridade europeu (ex: "missão civilizatória", "raça superior", "sociedades mais fortes").
Alinhamento com Descritores:
Língua Portuguesa (D044_P): Identificar as marcas linguísticas (palavras e expressões) usadas para construir a ideologia imperialista.
Matemática (D048_M): Resolver um problema simples: "Sabendo que em 1914 cerca de 90% do território africano estava sob domínio europeu, qual porcentagem do continente não foi colonizada diretamente por europeus?".
 
Identificação das Marcas Linguísticas (Descritor D044_P):
O aluno deve ser capaz de "garimpar" no texto as palavras e expressões carregadas de ideologia, que revelam a mentalidade de superioridade europeia.
 
Expressões-chave que devem ser identificadas:
Do parágrafo 8: "raças mais fortes e capazes sobreviveriam".
 
Do parágrafo 9: "civilização europeia era superior", "melhor capacidade de domínio", "melhor entendimento filosófico e científico", "melhor desenvolvimento artístico".
 
Do parágrafo 10: "missão civilizatória", "raça superior branca europeia", "levaria a civilização", "modelo ideal/padrão de sociedade".
 
A habilidade esperada é que o aluno perceba que essas não são palavras neutras, mas sim termos escolhidos para construir um argumento de que a dominação era algo natural e até mesmo benéfico.
 
Material didático: Seduc GO, Goiás TEC 8º ano, Quarto Bimestre.
 
🔖ATIVIDADE AVALIATIVA🎒
Propor aos alunos que escrevam um parágrafo curto respondendo à pergunta: "Como uma teoria supostamente científica foi usada para justificar o domínio de um povo sobre o outro no século XIX?". Espera-se que utilizem os conceitos de darwinismo social e "missão civilizatória" para elaborar a resposta, diferenciando o que era a teoria e como ela foi aplicada ideologicamente.
 
🔖ATIVIDADE AVALIATIVA FLEXIBILIZADA🎒
Oferecer uma atividade de associação em duas colunas, com apoio de imagens simples se necessário.
 
Coluna 1 (Conceitos): Imperialismo, Darwinismo Social, Missão Civilizatória.
 
Coluna 2 (Definições Simplificadas): "Domínio de países ricos sobre países pobres para pegar matérias-primas", "Ideia errada de que existem povos mais fortes que outros", "Desculpa usada para dizer que estavam 'ajudando' outros povos".
 
O aluno deverá ligar os conceitos correspondentes. A avaliação será focada na identificação correta das ideias centrais de forma direta e objetiva.
 
MATERIAL:
Darwinismo social e imperialismo no século XIX
1. O imperialismo ou neocolonialismo do século XIX se constituiu como movimento de domínio, conquista e exploração política e econômica das nações industrializadas europeias (Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica e Holanda) sobre os continentes africano e asiático.
2. A “partilha” da África e da Ásia se deu fundamentalmente no século XIX (pelos europeus), mas continuou durante o século XX. No decorrer deste, os Estados Unidos e o Japão ascenderam industrialmente e exerceram sua influência imperialista na América e na Ásia, respectivamente.
3. A “corrida” com fins de “partilha” da África e da Ásia, realizada pelas potências imperialistas, aconteceu por dois principais objetivos: 1º) a busca por mercados consumidores (para os produtos industrializados); 2º) a exploração de matéria-prima (para produção de mercadorias nas indústrias). A industrialização europeia se acentuou principalmente após as inovações técnicas provenientes da 2ª fase da Revolução Industrial.
4. O domínio da África e da Ásia, exercido pelos países industrializados, teve duas principais formas: 1ª) a dominação política e econômica direta (os próprios europeus governavam); 2ª) a dominação política e econômica indireta (as elites nativas governavam). Mas como as potências imperialistas legitimaram o domínio, a conquista, a submissão e a exploração de dois continentes inteiros?
5. A principal hipótese para a legitimação do domínio imperialista europeu sobre a África e a Ásia foi a utilização ideológica de teorias raciais europeias provenientes do século XIX. As que mais se destacaram foram o evolucionismo social e o darwinismo social.
6. Um dos discursos ideológicos que “legitimariam” o processo de domínio e exploração dos europeus sobre asiáticos e africanos seria o evolucionismo social. Tal teoria classificava as sociedades em três etapas evolutivas: 1ª) bárbara; 2ª) primitiva; 3ª) civilizada. Os europeus se consideravam integrantes da 3ª etapa (civilizada) e classificavam os asiáticos como primitivos e os africanos como bárbaros.
7. Portanto, restaria ao colonizador europeu a “missão civilizatória”, através da qual asiáticos e africanos tinham de ser dominados. Sendo assim, estariam estes assimilando a cultura europeia, podendo ascender nas etapas de evolução da sociedade e alcançar o estágio de civilizados. O domínio colonial, a conquista e a submissão de continentes inteiros foram legal e moralmente aceitos. Desse modo, os europeus tinham o dever de fazer tais sociedades evoluírem.
8. O darwinismo social se caracterizou como outra teoria que legitimou o discurso ideológico europeu para dominar outros continentes. O darwinismo social compactuava com a ideia de que a teoria da evolução das espécies (Darwin) poderia ser aplicada à sociedade. Tal teoria difundia o propósito de que na luta pela vida somente as nações e as raças mais fortes e capazes sobreviveriam.
9. O Darwinismo Social foi elaborado por intelectuais como o sociólogo Herbert Spencer. Spencer procurou adaptar as teses do naturalista inglês Charles Darwin sobre a evolução das espécies e a seleção natural (na qual, ao longo da história natural, sobrevive aquele que se adapta melhor) à estrutura da realidade social e cultural. Spencer imaginava que a civilização europeia era superior às demais porque havia conseguido melhor capacidade de domínio dos recursos naturais (por meio da indústria), melhor entendimento filosófico e científico, melhor desenvolvimento artístico etc. O Darwinismo Social pode ser definido como transposição da teoria da evolução das espécies e da seleção natural do terreno da ciência natural para a realidade sociocultural.
10. A partir de então, os europeus difundiram a ideia de que o imperialismo, ou neocolonialismo, seria uma missão civilizatória de uma raça superior branca europeia que levaria a civilização (tecnologia, formas de governo, religião cristã, ciência) para outros lugares. Segundo o discurso ideológico dessas teorias raciais, o europeu era o modelo ideal/ padrão de sociedade, no qual as outras sociedades deveriam se espelhar. Para a África e a Ásia conseguirem evoluir suas sociedades para a etapa civilizatória, seria imprescindível ter o contato com a civilização europeia.
11. Hoje sabemos que o evolucionismo social e o darwinismo social não possuem nenhum embasamento ou legitimidade científica, mas no contexto histórico do século XIX foram ativamente utilizados para legitimar o imperialismo, ou seja, a submissão, o domínio e a exploração de continentes inteiros.

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